
É em dias como hoje que as lembranças decidem invadir minha
cabeça, e me deixam com aquela sensação prazerosa de nostalgia. Cada
lembrança traz consigo um pedacinho do que você é, ou deixou de ser em uma
dessas reviravoltas da vida. Seja aquela garota sorridente que sempre dizia o
que pensava ou aquela criança tão quietinha e diferente das outras, que entre
palavras e brincadeiras, acabava sempre optando por um velho caderno e uma
caneta. O tempo passou e eu cresci. Algumas coisas foram
ficando pra trás. Metas foram se estabelecendo, sonhos foram mudando,
conceitos foram tomando forma. As bonecas na estante foram dando lugar
a livros. As adoráveis meias coloridas ficaram cafonas e
horríveis. E eu simplesmente não pude evitar essa mudança. Comecei a
ter problemas e a me importar com os problemas do mundo. Aquela menina que obedecia tudo o que o pai mandava
agora quer questionar as ordens dele antes de assentir. Os desenhos na TV que
pareciam encantadores e fascinantes agora parecem banais... Historinhas
mal contadas não a convencem mais. Antes andava pela casa só de
calcinha. Agora, não gosta nem de pensar na hipótese de alguém a ver assim. Conheceu
novos cheiros. Se o cheiro do bolo quentinho da avó parecia a oitava maravilha
do mundo, imagina o cheiro que fica na roupa depois que aquele garoto incrível
lhe dá um abraço. Conheceu novos gostos. O chiclete que vinha com tatuagem parecia
bom, mas o gosto de um beijo demorado parece bom demais. A menininha
que acreditava em tudo mundo, começou a ter decepções. E nesse meio tempo o
dicionário me ensinou que futuro nada mais é do que um intervalo de
tempo que se inicia depois do presente e não tem um fim definido. Na
adolescência tudo acontece ao mesmo tempo. O corpo muda, as responsabilidades
crescem e nosso pobre coração, que então descobrimos não ser tão bonitinho e
simples quanto costumávamos desenhar na folha de papel, vai sendo remendando
uma porção de vezes. É sempre quase o fim do mundo, mas uma boa noite de sono
nos faz mudar de ideia. Desde que saímos da infância, cada fase
nos torna um pouquinho mais fortes. Cada conselho nos deixa um pouquinho mais
sábios.
Devido a minha infância super protegida, hoje
minha característica é que prefiro não seguir o tal padrão
obrigatório, e adivinhem, pessoas assim se tornaram adultos corajosos e cheios
de ideais. Não pense que somos solitários. Eu por exemplo, adoro ficar
sozinha. Aprecio o silêncio. Ler meus livros, assistir muitos episódios
seguidos daquela série que ninguém gosta, ouvir músicas no fone de ouvido ou
ficar atoa na internet sem precisar dizer nenhuma palavra. Dai eu volto pro
passado e começo a me lembrar da minha infância e do quanto eu era feliz por
lá,. E pra falar a verdade esse momento são um dos meus melhores. Pense
como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos e
leite todos os dias por volta das três da tarde e pudéssemos nos deitar com um
cobertorzinho para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem como regra
básica, devolver as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a
bagunça ao sair. E hoje, eu
sou apenas um poço de nostalgia. Nostalgia de lembrar de tudo o que passou,
pequenas coisas que me fizeram muito feliz, pequenas coisas que juntas formam
partes do que sou, e lembrar disso é muito bom, minha velha infância. Fase de
descobrir as coisas onde tudo era novo e motivo de festa, onde na maioria das
vezes eu me mostrava tímida demais e reservada. Infância que mesmo com toda
minha timidez consegui viver grandes momentos e me permitir, hoje, ter
maravilhosas lembranças fixadas em fotografias já gasta. Felicidade de ter
vivido todo esse tempo e chegar aqui, agora, e falar de como foi incrível tudo
isso. De como é bom ter momentos para recordar e como foi grande o aprendizado
de tudo o que passou. Ser criança é com certeza uma das melhores fases da vida,
mas no final, é isso que resta, apenas recordações, e
no máximo algumas fotografias.






(Essas fotos são dos meus primos. Estavam a um tempão
guardadas no meu computador pra o projeto Túnel do Tempo que eu iniciei aqui no
blog, mas acabou que não sei se vou continuar o projeto, e achei que seria uma
boa colocar nesse texto já que é sobre infância que falei. Espero que tenham
gostado.)
Via; (1, 2, 3, 4)





